Terça-feira, Janeiro 31, 2012

Palavras (sem silêncios)

Essas noites nem quentes nem frias me chateiam. Abro a janela do quarto e as grades me lembram que até morar sozinha tem seus quês de prisão. Não consigo ver lua, estrelas, nuvens ou chuva. Levanto, ando, me mexo e não importa o que eu faça, o tempo parece parado, nesse clima meio ameno, meio sem-gracinha. Ansiedade deixa a gente assim. É uma noite que nem quer virar dia, frustrando minhas tentativas de acordar daqui a pouco e ver você. Porque, você nem sabe, mas eu não vejo a hora de lhe dizer tudo aquilo que eu decorei, aquelas palavras bem pensadas de noites e noites mal-dormidas, amenas e eternas como hoje está. E eu ando treinando, que é pra evitar aqueles silêncios que existem entre nós, que não chegam a ser constrangedores, mas que me agoniam quando acompanhados dos seus olhos negros me encarando e lendo a minha alma. Brr. Arrepio à mínima lembrança do que é olhar nos olhos seus. E é por isso que eu tenho tudo aqui, arrumadinho, prontinho para disparar em frases contra você, sem deixar espaços vazios e silêncios entre as palavras, que é pra que teus olhos não me derrubem, como sempre fazem, e me tirem a pouca força de vontade que me resta de querer tirar-lhe do meu redor.

Eu não vejo a hora de lhe dizer aquilo tudo que eu decorei ♪

Sábado, Dezembro 31, 2011

Do que eu não quero que acabe

Quero de 2012 nada muito além do que vivi em 2011; o ano foi bem, cheio de oportunidades incríveis e acompanhado de pessoas maravilhosas. Conheci e reconheci pessoas tão doces, tão carinhosas, tão verdadeiras, tão necessárias… Que me mostraram que não dependo de ninguém para viver, mas que a companhia torna tudo tão mais agradável; me mostraram que um sorriso ainda cedo pela manhã derrete o gelo e é primordial para que o resto do dia se ilumine; que acordar de mau humor não é desculpa para um dia todo ruim; que acordar de madrugada para trabalhar não é o fim do mundo  se você faz o que gosta; que dormir é bom, mas ficar acordada até com aquele certo alguém é estimulante; que perder a cabeça é para os fracos, e os inteligentes conseguem e preferem ter uma conversa sincera; mas que esquecer a sanidade e vez ou outra se deixar levar pelo momento, pela vontade, vale (e muito) a pena; que segundas chances existem, sim, quando o sentimento é verdadeiro e presente; que acreditar na intuição é bom quando precisamos escolher alguém para confiar os pensamentos; e que acreditar apenas na primeira impressão pode nos fazer perder pessoas maravilhosas.

Conheci pessoas para chamar de irmãos, amigos, companheiros. Me aproximei mais ainda de outros e percebi o quanto estava perdendo de nãos os ter por perto há mais tempo. Brinquei de contar a verdade, de contar meus segredos, de contar meus desejos. E de realizar uns tantos. Me deixei levar pela emoção, me entreguei a outros corações, me apaixonei por meus amigos, dependi da ternura dos outros mais do que queria – e vivi bem com isso. Chorei um bocado e alguns poucos ficaram ao meu lado, firmes e fortes, enquanto outros se foram – perdi um tanto assim de carinho e acabei ganhando um outro tanto, quase que tentando equilibrar. Mudei de cor de camisa, de cor de cabelo, de chefe, de rumo, de maneira de agir; e foi bom. Precisei lidar com situações (e pessoas) difíceis, escolhas difíceis, momentos duros; e percebi, assim, que sou forte, resisti, sobrevivi e segui em frente. Sonhei… e vivi.

Não espero de 2012 nada muito além do que foi 2011. Cresci muito nesse ano, chorei, caí, mas levantei e resisti. E sorri, muuuuito mais que tudo isso. Sorri até escorrerem lágrimas. gargalhei até perder o ar. Dividi com os outros a parte boa que há em mim – e eles me ajudaram a diminuir o que era ruim. Me sinto bem. Se o ano novo for tão cheio de momentos, pessoas e escolhas incríveis quanto este tem sido, já tá mais que bom pra mim.

Quinta-feira, Novembro 24, 2011

Lifesize

Já briguei com meus amigos; já briguei pra defendê-los.
Já chorei de tristeza, decepção, dor; já chorei de tanto rir.
Já corri descalça na rua; já esfolei o joelho de tanto cair.
Já sorri para um estranho na rua; já estranhei um conhecido me sorrindo.
Já pulei da ponte ao rio; já morri de medo e desisti de pular.
Já fugi correndo da chuva; já corri na chuva atrás de alguém.
Já beijei quem não devia; já escondi o rosto quando queria o beijo.
Já sonhei com monstros e acordei assustada; já sonhei com amigos e me assustei ainda mais.
Já dormi abraçada; já acordei sozinha mesmo com alguém ao lado.
Já perdi a paciência com choro de criança; já me emocionei com um sorriso de bebê.
Já amei e não tive coragem de dizer; já disse que amava a quem não merecia me ouvir.
Já fingi dor de cabeça pra não ir pra escola; já fingi calma mesmo quando o coração explodia.
Já disse que odiava; já disse que gostava e depois descobri que nem era tanto assim.
Já me importei com o que os outros pensam; já tapei os ouvidos e fiz o que eu queria.
Já passei horas ouvindo lamentos; já lamentei por horas no ouvido dos outros.
Já emprestei borracha só pra puxar assunto; já devolvi livros para não ter motivo de falar de novo.
Já ligue quando não devia; já me segurei por dias sem tocar no celular.
Já sorri largo com meu nome no rádio; já baixei os olhos tristes quando levei um não.
Já escrevi cartas de amor e não enviei; já recebi mensagens que preferia nunca ter lido.
Já comprei livros que nunca li; já emprestei livros e nunca devolvi.
Já sorri ao olhar fotos antigas; já rasguei fotos com pessoas que não queria mais lembrar.
Já entendi mais do que me foi dito; já me fiz de desentendida.
Já amei profundamente; já esqueci um grande amor.
Já escrevi de lápis por medo de errar; agora só uso caneta, que é pra ficar tudo bem gravado..


Ao som de Lifesize - A Fine Frenzy