Essas noites nem quentes nem frias me chateiam. Abro a janela do quarto e as grades me lembram que até morar sozinha tem seus quês de prisão. Não consigo ver lua, estrelas, nuvens ou chuva. Levanto, ando, me mexo e não importa o que eu faça, o tempo parece parado, nesse clima meio ameno, meio sem-gracinha. Ansiedade deixa a gente assim. É uma noite que nem quer virar dia, frustrando minhas tentativas de acordar daqui a pouco e ver você. Porque, você nem sabe, mas eu não vejo a hora de lhe dizer tudo aquilo que eu decorei, aquelas palavras bem pensadas de noites e noites mal-dormidas, amenas e eternas como hoje está. E eu ando treinando, que é pra evitar aqueles silêncios que existem entre nós, que não chegam a ser constrangedores, mas que me agoniam quando acompanhados dos seus olhos negros me encarando e lendo a minha alma. Brr. Arrepio à mínima lembrança do que é olhar nos olhos seus. E é por isso que eu tenho tudo aqui, arrumadinho, prontinho para disparar em frases contra você, sem deixar espaços vazios e silêncios entre as palavras, que é pra que teus olhos não me derrubem, como sempre fazem, e me tirem a pouca força de vontade que me resta de querer tirar-lhe do meu redor.
Eu não vejo a hora de lhe dizer aquilo tudo que eu decorei ♪