Domingo, Fevereiro 28, 2010

É de amor-amor

Você pode dizer o que quiser da vida, mas tudo que você precisa é amor. Você pode tentar viver sozinho, refrear sentimentos, afastar-se do mundo, mas sem amor, não será uma vida. O amor preenche os espaços, as lacunas na nossa alma. O amor é como as flores na primavera; essencial para a beleza e a pureza da estação. Ou, no caso do amor, essencial para a pureza do nosso coração. Pode ser amor-amor, amor-amante, amor-amigo, mas tem que ser amor. É a paixão pelos sonhos que nos leva a seguir em frente, o amor pelos outros que nos torna boas pessoas. É o amor que nos inspira a ser artistas, a criar histórias, escrever, pintar, sorrir. Você pode até tentar iludir a si mesmo, dizendo que não precisa de um amor; mas, acredite, tudo que você precisa é do amor. Do resto, é consequência de amar.

♪ All you need is love - The Beatles

Sexta-feira, Fevereiro 26, 2010

I Will

porque o fogo que me faz arder é o mesmo que me ilumina

"Quem sabe há quanto tempo eu tenho amado você? Você sabe que eu amo ainda. Esperarei por toda uma vida sozinha - se assim você quiser, eu farei. Se eu alguma vez vi você, esqueci de lembrar seu nome, mas isso nunca importou, pois eu vou sempre sentir desse jeito. Amo você para sempre e para sempre, amo você com todo o meu coração. Amo você quando estamos juntos, amo você quando estamos separados. E quando finalmente eu encontrá-lo, a sua canção irá encher o ar, cante alto para que eu possa escutá-lo. Deixe mais fácil me aproximar de você, pois as coisas que você faz me deixam mais apaixonada por você. Ah, você sabe que eu irei."
♪ I Will - The Beatles (Tradução)

Quinta-feira, Fevereiro 25, 2010

Manias

do you want to know a secret?

Tenho várias manias. Uma: eu faço bico. Faço bico quando estou chateada, com raiva, sorrindo, até quando tento não sorrir. Duas: eu leio muito. Tem dias que eu começo a ler e só paro quando me mandam. Ainda não cheguei na fase da bula de remédio, mas algumas vezes passo o dia inteiro lendo todas as revistas que eu acho na casa. Três: protelar. Eu releio livros, vejo séries, passo o dia na internet, adiando o momento de fazer alguma coisa - geralmente estudar. Quatro: eu penso demais antes de falar. Algumas vezes, penso tanto que nem chego a falar, por falta de tempo - ou de coragem, depois de perceber que ia sair coisa ruim. Cinco: atualizar páginas. Tem uns momentos que eu estou na internet, sem fazer absolutamente nada, só atualizando as páginas pra ver se o que eu quero aparece, seja uma pessoa, um post, um comentário, um e-mail - e quase nunca aparece. Seis: escrever coisas desinteressantes, que nem ninguém em sã consciência iria gostar. Como o que eu estou fazendo agora. Sete: tentar me minimizar. Quer dizer, tentar me definir em poucas palavras. Minhas manias são tantas que essas seis - ou sete? - não definem nem uma pequena parte, assim como meus sentimentos são tantos que o blog já tem mais de 60 postagens, mas só representa uma ínfima parte do que eu sinto. Fazer o que, né?

Segunda-feira, Fevereiro 22, 2010

Com saudades,

I cannot get it out of my mind


Passei a noite acordada, mais uma vez. Pensando em você, como é de praxe. Ou melhor, pensando em nós dois. A saudade aperta cada dia mais. Eu sei que eu poderia ter ligado, mas você me conhece, não quero incomodar. Então resolvi começar a escrever, como fazia antes, logo que começamos a namorar, lembra? Eu escrevia cartas e mandava pelo correio para você, e você me achava boba, já que morávamos na mesma rua. Mas o romance está em enviar a carta, e você receber pelas mãos de outro que não eu. Dessa vez, entretanto, não vou enviar a carta. Vou guardá-la para quando você voltar, junto com as outras tantas que eu sei que escreverei nos próximos doze dias sem você. É porque eu quero aliviar um pouco de toda essa saudade que eu estou sentindo, mas não quero jogá-la toda agora em você; porque eu sei que você vai se sentir culpado e acabar fazendo alguma bobagem e voltar antes, mas não pode. Eu me contenho e você fica aí, onde está, e termina seu curso, para depois voltar pra mim, inteiro, de verdade, sem pendências. Daí, você aqui, eu mostro o quanto eu senti sua falta, e digo e faço-o sentir tudo que está aqui dentro do meu coração, sem medos ou receios.
Com saudades,
Julia.

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Indo para Belém daqui a pouco, semana inteira de aulas na universidade. Respondo os comentários logo que der, ou no fim de semana, quando voltar. Até lá, deixei programadas algumas coisas que eu já escrevi. Beijinhos, e até mais!

Domingo, Fevereiro 21, 2010

Da vida que eu escolhi

but the fool on the hill sees the sun going down

Pra quem não é familiarizado: Engenharia de produção dedica-se à concepção, melhoria e implementação de sistemas que envolvem pessoas, materiais, informações, equipamentos, energia e o ambiente. Um engenheiro de produção pode atuar desde a gestão do trabalho e da empresa ao planejamento industrial, passando pela área de tecnologia da informação, operações, financeiro, marketing, logística, ergonomia, segurança do trabalho... E mais tantas áreas que complica enumerá-las aqui.

Cá entre nós, nunca sonhei em ser engenheira de produção - profissão para a qual eu estou estudando e pretendo me formar em pouco menos de três anos. Na verdade, só escolhi prestar vestibular pra esse curso já em cima da hora, poucos meses antes da inscrição, apenas por achá-lo interessante, concorrido - desafio!-, e com matemática - que eu sempre gostei muitíssimo.
Já passei pelas ideias de fazer jornalismo, publicidade e propaganda, relação públicas, relações internacionais, que admito ainda serem sonhos que eu tenho; pelo fato de adorar ler e escrever, são grandes vontades ainda. Mas, aqui onde eu moro, as oportunidades para tais profissões não são das mais promissoras - ou são bastante reduzidas. Fato este que me fez optar pela engenharia; país em crescimento, grandes empresas já existentes e por vir aqui no Pará, maiores oportunidades.
Já dentro da universidade, vim descobrir os desmembramentos de um engenheiro de produção, as áreas de atuação, os interesses, os ganhos, os desafios. Me interessei pelas oportunidades, gostei da profissão. Cansou um pouco ter que estudar a Física de I a IV, já que eu nunca fui fã dela. Mas a perspectiva de ter um leque gigantesco de opções para atuar, depois de formada, é que me faz estudar e seguir em frente com o meu curso.
Ainda não tenho uma boa ideia de qual área de tantas eu prefiro seguir; muitas me interessam. Depois de ver um pouco mais de cada, talvez seja mais fácil - ou não. Enquanto isso, eu tento arrastar qualquer um com um leve gosto pela matemática pro mesmo buraco que eu - falando da produção, é claro - e ocupo meu tempo livre com minha paixão reprimida pela Comunicação Social, aqui no blog, que não será exercida profissionalmente, mas não deixa de ser uma das minhas profissões; a profissão do meu eu interior, mais comunicativo que o exterior.

Dias de Alice

I found myself in Wonderland

Tem dias que eu viro Alice: tiro os pés do chão e me jogo no meu país das Maravilhas. Sonho alto, esqueço qualquer problema, enfrento o que eu não conheço e sigo até chegar ao fim.

Comece pelo começo, siga até chegar ao fim e então, pare.
Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll

Sábado, Fevereiro 20, 2010

Falando do amor, de novo.

falar de amor não é amar

- Bom dia! Você tem amor aí para vender?
- Não, mas se quiser um pouco de hipocrisia social, tem sobrando e baratinho. Sabe como é, virou moda agora, então tem vendido bastante.

Eu não digo "eu te amo" para qualquer um. O tempo todo, sim, porque eu acho importante deixar claro aos que eu amo que os amo, sempre. Mas só aos que eu amo, pura e verdadeiramente. Dizer que se ama é algo importante: se você diz tais palavras a qualquer um, o que fará quando aparecer aquele alguém especial?
Há quem diga que as palavras não são importantes, o que conta é o sentimento por trás delas. Mas se é das palavras que nos valemos para expressar o que sentimos, então como faz? Como fazer para transmitir ao outro todo o amor, quando não se pode estar por perto? Eu digo que amo. E ele sabe, sempre, que quando eu digo é de verdade; ou ao menos deveria saber.
Não desmerecendo a importância de uma amizade que está brotando, jamais, mas dizer que ama a qualquer um, quando pouco se conhece ou até mesmo só para agradar, não prova que você é mais amigo do que se não o falasse. Só prova que você não consegue distinguir sentimentos; amor é amor, amizade é amizade; conhecer alguém é bom, mas até o amor é uma longa caminhada. Queremos bem a muitos, mas amamos verdadeiramente a muito poucos. E o amor se constrói, com o tempo e a convivência, e com a ajuda do outro, não só dizendo estas palavrinhas.
Guardar estas pequenas palavras para pessoas especiais, ou momentos especiais, torna-as infinitamente mais importantes, infinitamente mais belas e preciosas. Ouvir "eu te amo", sabendo que este é dito com sinceridade, tem se tornado raro. Começamos banalizando nossas palavras, nossos meios de expressão; estamos a um passo da banalização do sentimento em si - se você ama, prove, mostre, demonstre. Falar é fácil; deixar a hipocrisia social, no entanto... Mas, cada um, cada um. Me importa mais que eu saiba o que sinto aqui, dentro de mim, e sonhar com um mundo de sentimentos e palavras verdadeiras.

Sexta-feira, Fevereiro 19, 2010

Um beijo

* ao lábio só cabe o beijo *

Os rostos próximos; ele podia sentir a respiração dela, acelerada, quase ofegante. Seus narizes não chegavam a se tocar, mas ele sentia o calor que emanava dela. Os olhos brilhantes, um pequeno sorriso nos lábios. Não sabia o que aconteceria depois; interessava-se mais no agora. Aproximou-se mais, com a mão tocando a pele macia e rubra da bochecha dela, agora de olhos fechados, até que seus lábios se tocaram: suaves, dóceis, desacostumados com o formato do outro. Num segundo que pareceu uma eternidade, eles agora estavam juntos; eram um, um no outro, unidos pela pureza de um beijo e pela imensidão de um sentimento.

Quinta-feira, Fevereiro 18, 2010

Amor à segunda vista.

eu não sou tudo que você precisa, ainda não sou tudo aquilo que eu queria ser

Olhei você e não foi amor à primeira vista. Até porque, você sabe, eu já lhe conhecia, de nome, de ver, de outros carnavais. Mas naquele dia você sorriu pra mim. E eu sorri para você. Sorrisos que teriam passado, junto com todo esse sentimento, se não fosse por você. Sorrisos comuns, de desconhecidos, perdidos no esquecimento, se não fosse por você. E até hoje eu não entendo bem o porquê: de você ter vindo até mim depois. Porque eu sou assim, simples por fora, pra quem vê de longe. Eu sou assim comum, assim normal, assim sem-graça, assim não-vista, pra quem vê de fora. Mas você lembrou de mim; meu rosto, meu nome, minhas palavras daquele dia comum. Com tantos ao meu redor, você lembrou de mim. Mas, mas, mas. Não fosse o mas, eu não estaria aqui, assim feliz, assim amando. Não fosse o mas, não notaria, à segunda vista, o quão belo e sincero é o seu sorriso. Não fosse o mas, eu não aprenderia a ceder, a conviver, a dividir, a aprender com você. Não fosse você voltar, me olhar, me fazer falar, eu não estaria aqui: com você. E por isso, mais do que tudo de bom que você já me proporcionou, eu sou grata. Porque sem esse mas, eu não iria me apaixonar assim, amar você assim, viver com você assim. Não fosse o mas, não estaríamos juntos hoje; como estamos, daqui até a eternidade. Porque meu amor por você é assim, como uma função matemática: com origem no zero, limite tendendo ao infinito.

Para sempre

dias passam como nuvens, em brancas nuvens

Primeiro brotou um sorriso, tímido. Ele cresceu, alargou-se, espalhou-se por todo o rosto, que reagiu a seu modo: bochechas rosadas, olhos brilhantes das lágrimas que começavam a se formar e, pouco a pouco, escorrer pelo rosto. Não era tristeza, de modo algum. A alegria era tanta que os olhos não conseguiram conter. E as mãos dadas agora pareciam pouco diante do fato: queria percorrer ombros, braços, nuca, o corpo todo, no mais intenso dos abraços. E a boca, dividida entre o sorriso, o beijo e a palavra, respondeu o sim de todas as formas que encontrou, querendo ser bem entendido. Tudo isso era o amor falando, de dentro dela, que iriam ficar juntos - no pra sempre deles dois.

Terça-feira, Fevereiro 16, 2010

Hoje eu vim falar de amor

Hoje eu vim falar de amor, mas só um pouquinho. Uma vez por mês eu fico assim: mais romântica do que sempre. Não, não é a TPM - ou talvez ela esteja junto. É que, todo mês, nessa data - hoje, 16 - eu marco mais um mês de namoro no calendário do meu coração.
Sou uma romântica incurável, boba e assumida - apesar de ser assim só com ele, pelo que me dizem. E hoje é um daqueles dias em que vejo o amor em tudo: vê só o amor na imagem aqui do lado.
Amor é assim: muda nossa visão das coisas e do mundo. Nos faz sorrir mais e enxergar mais, principalmente enxergar a beleza daquilo que nos cerca; porque sempre há beleza, mas às vezes fechamos os olhos para ela. Amar faz bem à mente e ao coração, e à todos que nos cercam, pois ficamos mais alegres, mais sociáveis - eu que o diga.
E deixo aqui declarado o meu amor por ele, que depois de dois anos e três meses não acabou e nem diminuiu, só aumenta, assim como a admiração que eu tenho por ele.
Como eu tenho muito amor aqui hoje, deixo um pouquinho de amor no coração de cada um que leia esse post, na esperança de um sorriso sincero e uma fagulha que seja de alegria a mais na sua vida.
Beijinhos pra quem me lê :D

dianaBruna winistonFacuri

Segunda-feira, Fevereiro 15, 2010

Outra chance

Abri os olhos devagar: a luz que entrava pela janela aberta era quase ofuscante. O sol parecia já estar a pino. Um silêncio absurdo me rodeava; onde estavam os passarinhos cantando a essa hora? Certo, isso nem tinha aqui mesmo, mas e os carros passando na rua? Quando me concentrei, já suficientemente acordada, me dei conta: eu não estava ouvindo nada. Som algum, nenhum ruído. Por que o mundo silenciara?
Sentei na cama, tentando pensar, mas o silêncio era absurdo e enchia minha mente. Olhei para minhas mãos e elas pareciam estranhas, como se não fossem minhas. Levantei-me e dei de cara com o espelho do guarda-roupa: quem era aquela criança parada em frente a mim? Eu tinha vinte anos, e não os dez que a menina que eu via aparentava.
Então as memórias vieram de súbito, como um filme daqueles antigos, ou um sonho meio borrado: eu havia morrido num acidente de ônibus. Ironia do destino, eu, que não acreditava em via após a morte, ganhei uma nova chance de viver. Lembrei-me do senhor de ar cansado e aparência idosa me dizendo que eu iria reencarnar, teria uma nova vida, uma nova chance, mas não consigo lembrar por qual motivo me mandariam de volta. Lembro também que iria para uma realidade diferente da minha: nova vida, novo corpo, novas oportunidades, foi o que me disse, ou algo parecido.
E agora eu me olhava no espelho, uma menina de 10 anos de idade, cabelos castanhos e encaracolados e olhos grandes. E até onde eu conseguia perceber agora, eu era surda. Não ouvia um ruído sequer. E esse pensamento me assustou absurdamente.
Um nome me veio à mente: Julia. Devagar, as lembranças dessa que eu agora era começaram a se apoderar da minha mente. Pelo visto, memórias de uma vida passada não duravam pra sempre.
Andei até a porta do quarto em que eu estava e a abri, estranhando ainda que ela não fizesse o costumeiro rangido, seguindo pelo corredor de paredes brancas até a cozinha. Uma mulher alta, de cabelos da cor dos meus, estava preparando algo com cheiro de torradas e chocolate quente. Eu vi uma colher cair no chão quando ela - minha mãe, eu agora pensava - esbarrou numa bandeja na mesa. Mas nenhum som. Era um mundo estranho, diferente. Mas, ao mesmo tempo, eu sentia que era um mundo incrível. Eu sentia cada diferente fragrância que compunha o ar à minha volta. E via mais cores, e estas mais brilhantes. Meu corpo parecia adaptado a este mundo; meus outros sentidos eram mais aguçados nesse corpo, sem a audição, do que no antigo corpo, na antiga vida. Na verdade, precisei forçar a memória para analisar as antigas lembranças; elas esvaíam-se da minha mente mais rapidamente do que eu conseguia retê-las.
Enquanto eu tentava segurar as lembranças antigas, a mulher na minha frente, minha mãe, virou-se e meu viu lá, em pé, com o olhar vago. Fez um gesto que eu entendi como sendo Bom dia!, e deu um sorriso. O sorriso mais sincero que eu jamais lembro ter visto. Chamou-me para sentar à mesa e tomar café, ainda com gestos. Incrivelmente, eu os captava perfeitamente. Meu novo corpo e mente sabiam como reagir. Tomamos café juntas e, quando eu terminei, ela me deu outro sorriso. Levantei da mesa e dei-lhe um abraço; era maravilhoso. Não conseguia ouvir o que ela dizia, mas sentia cada palavra não-dita em meu coração; e a música mais linda do mundo tocava em minha mente, do tipo que compositor algum no mundo conseguiria fazer, e nem meu corpo diferente e incapacitado de ouvir deixava de apreciar. Fechei os olhos e sorri também.


dianaBruna

Pauta para o Blorkutando, tema: "Eu interior". Pequeno conto, não tão pequeno quanto eu esperava. Beijinhos pra quem me lê. =*

Sábado, Fevereiro 13, 2010

Flores no asfalto


Ele chegou do mesmo jeito que sempre fazia: cabeça baixa, um pedido de desculpas. E um buquê de flores, desta vez. Sabia que estava errado, sabia que não deveria ter dito aquelas coisas. Fora um momento de raiva; agora, angustiado, tentava reaver o que se perdera.
Cor-de-rosa, branco e vermelho cobriam o chão ao redor daquele banco de praça. Eu despedaçava as flores, pétala por pétala, enquanto ele despejava palavras, desculpas. Eu não falava nada: precisava ouvir tudo que ele queria dizer - para então me pronunciar.
Ele parou, levantou a cabeça e olhou para mim. As flores foram de minhas mãos para a calçada. Tudo que ele disse me fez pensar; mas eu já havia pensado muito antes. Cada palavra que me ferira, cada olhar de desagrado, cada discussão sem sentido. Não é mais do jeito que eu queria, do jeito que tinha que ser. Levantei-me, dei as costas a um mundo ao qual eu não queria mais pertencer, e fui embora. Só restaram flores amassadas no chão, no silêncio do adeus que se seguiu.

♪ Apologize - One Republic

Sexta-feira, Fevereiro 12, 2010

Vem, meu amor ♥

Vem, meu amor, vamos viver. Vamos sair ao anoitecer e assistir a um bom filme. Vamos à lanchonete, vamos tomar um sorvete, vamos sair. Vamos andar de mãos dadas na calçada ao meio-dia e no meio da rua às duas da madrugada. Vamos sorrir juntos. Vamos contar piadas e histórias e rir até chorar. Vamos ver o sol se esconder da beira do rio, e é quando você vai pegar uma daquelas flores amarelas e colocar no meu cabelo, e me fazer sorrir. Vamos tomar banho de piscina e brincar como duas crianças. E vamos chorar também, porque alguma hora isso vai ter que acontecer. Vamos dar um beijo na chuva, no sol, um no outro. Vamos falar de sonhos e planos, e vamos falar de amor, porque é só de amor que eu sei falar bem. Vem meu amor, vamos amar.

O Hacker Zeca Baleiro

Aqui dentro

Olhe para mim e diga o que você vê
Um sorriso, olhos brilhando?
Óculos, cabelos curtos?
Você pode dizer como eu sou
(como eu pareço por fora agora),
mas e o que está aqui dentro?
Escrito na minh'alma:
(de tinta permanente)
seu nome,
pura e simplesmente
(único como você).

Radiografia Zeca Baleiro

Terça-feira, Fevereiro 09, 2010

Perdidos

Foi buscando um amor que eu me perdi.
Olhei em cada rosto, cada par de olhos;
o mundo é vasto, amigo.
Por muito tempo fiquei assim
desolada,
assim perdida.
Dia desses me encontrei,
e não foi em seu rosto
nem em seus olhos.
Me achei em sua alma.
E novamente me perdi:
em seu amor.

Com todo o prazer.



Indo para Belém, estudar. Volto no fim da semana, com coisas mais interessantes pra postar (ou não). Até lá, beijinho e obrigada pra quem me lê. =*

Segunda-feira, Fevereiro 08, 2010

Achados

Solidão que os outros miram com desprezo,
silêncio que aos demais aflige tanto,
um pensamento na vigília aceso,

um coração que não deseja nada,
- esse é o mundo a que chegas, onde a vida,
só do sonho de ser é sustentada.

(Cecília Meireles)

Achei uma folha arrancada de um livro outro dia, entre as páginas de outro livro. Papel já meio rasgado, dobrado e amarelado, com esta poesia de Cecília Meireles, que decidi postar. Para lembrar que a vida é sustentada pelos nossos sonhos. Então, sonhe. =*

Domingo, Fevereiro 07, 2010

Re-des-encontro

Te encontrei assim, numa tarde quente dessas férias. Parecia que uma vida toda havia se passado.
Lembra quando você passava todo o tempo que não estávamos na escola na minha casa? Depois que ia embora, então, horas e mais horas no telefone até duas da madrugada. Éramos assim: você sabia de mim e eu de você; juntas incondicionalmente. Trocávamos ideias, sentimentos, pensamentos; fazíamos de tudo.
Você me fazia passar cada vergonha; lembra quando ligou para o menino de que eu gostava, só pra chamá-lo de idiota? Fez ele vir se desculpar comigo. Nunca esqueci. Falávamos de amores, mas não nos largávamos por eles, nunca. Ríamos a beça de tudo e todos; tínhamos apelidos, um clubinho todo nosso. De tão simples era inacreditável.
Manhãs conversando muito, tardes com brigadeiro e pipoca (!), noites caminhando pela praça, páginas e mais páginas da minha agenda rabiscadas (por você) com nomes, lugares, aniversários e versinhos. Você não era minha amiga. Era minha irmã.
Era. Não sei, ainda hoje, exatamente o que nos fez seguir caminhos tão opostos.
Te encontrei assim, numa tarde quente dessas férias. Você deu um sorriso fraco, paramos para conversar; sobre não sei o quê, desimportâncias, amenidades. Um abraço de despedida, que me fez lembrar tudo em dois segundos. Foi quase como se ainda fosse.



No Worries ♣ McFly


Nada como um abraço para fazer brotar um sorriso e boas lembranças. Lembranças de uma amiga que, por muitas coisas, não é mais. Infelizmente.

Sábado, Fevereiro 06, 2010

Martha, my dear

Escrevo para pedir desculpas. Sei que é covardia fazer assim, mandar-te por escrito aquilo que eu deveria falar na tua frente. Afinal, errei contigo. Julguei-te precipitadamente, te fiz sentir coisas que não deveria; mágoa, tristeza; sei que choraste por minhas palavras. Por isso, digo que sinto muito. Apenas sentir muito? Não, não vai mudar em nada o que eu fiz. Mas garanto-te que mudará o que farei; quero ser uma pessoa melhor.
É impressionante como palavras podem causar tanto: palavras minhas te feriram, palavras minhas agora querendo curar-te. Pretensão demais, talvez. Mas desejo, muito mesmo, que minhas palavras te deixem sentir meu arrependimento. Mais do que isso, quero que minhas palavras neste bilhete te façam sentir a ternura e o carinho que eu te desejo, para tentar minimizar os pensamentos ruins que um dia te destinei.
Não espero perdão. Perdoar é muita coisa para alguém como eu. Errei e mereço arcar com as consequências; quero que me desculpes em ti, para que qualquer coisa que eu tenha te feito de errado não te afete mais; para que não tenhas sentimentos ruins contra mim, zelando pela sua alma e coração, não necessariamente por mim.
Do mais, desculpe. Repetitivamente peço-te isso. Desculpe pela falta de coragem de olhar-te nos olhos.
Daqui de onde eu não possa te machucar,
Eu.


♪ Martha, My Dear ♪ The Beatles

Sexta-feira, Fevereiro 05, 2010

Palavra

Sou viciada em palavras. Letras, palavras, sinônimos, significados. São meu refúgio, minha válvula de escape, meu amparo e proteção. Quando escrevo, parece que o tempo ao meu redor desacelera e os sentimentos começam a sair de dentro de mim, devagar, para a ponta dos meus dedos. E as palavras, parágrafos, pontos e vírgulas se materializam, transformando pensamentos e ideias em algo ainda mais bonito; bonito porque é meu modo de passar aos outros o que eu sinto e não tive a oportunidade, ou a coragem, de falar, mostrar, expressar frente a frente.
Quando escrevo aqui no blog, transformo a mim mesma em poesia, em arte; em sorrisos e comentários de que me lê. Abro aqui a minha alma a quem interessar-se por vê-la. Derramo meus sentimentos numa cascata de palavras, sem regras ou cobranças, só a vontade de me expressar. Libero medos, anseios, desejos, grito aquilo que noutro momento não pude. Dou cores à minha vida nem sempre tão colorida. Um dia sem passar por aqui e já sinto que o mundo dentro de mim começa a superlotar, que preciso extravasar, deixar sair.
Mas acima de tudo, escrevo para alegar. Para fazer nascer sorrisos de quem me lê; não há maior felicidade do que saber que fez alguém feliz, não importa se foi com um beijo, um abraço, um sorriso ou uma palavra.

Palavra, tenho que escolher a mais bonita pra poder dizer coisas do coração
(O Teatro Mágico)

E aos meus leitores, um sorriso e um obrigada por virem sempre aqui. São a minha felicidade quando eu mais preciso sorrir. =*

Quinta-feira, Fevereiro 04, 2010

Mensagem não enviada

Madrugada adentro, apertava rapidamente cada uma das teclas. Vez ou outra, uma pausa, um gole da xícara de chocolate quente ao lado, que lhe aquecia a alma e lhe dava coragem, e um momento para pensar nas palavras certas: amor, tristeza, saudade, fim. Frases que ela sabia não conseguir proferir em voz alta; se estivesse em frente a ele, toda a obstinação, a força de vontade, sumiriam, como sempre acontecia. Escrevia palavras gritadas, suspiros de insatisfação, incômodos: tudo aquilo que ela queria que ele soubesse. Transcrevia seus sentimentos para a tela do computador; a única maneira que achara para diminuir a dor. Terminou com um adeus e um dito de que não mais iria atrás dele, não mais se deixaria levar por falsas promessas, não mais queria sofrer. A mão sobre o mouse, bastava um só clique. Quanta força de vontade isto demandaria dela? Leu tudo de novo, pensou tudo de novo, lembrou tudo de novo: os beijos, os carinhos, os risos. Moveu o cursor e clicou em cancelar. Resolveu deixar a pouca coragem que lhe restava para o cara a cara. Não que isso fosse ajudá-la a dormir essa noite, de qualquer modo.

Your eyes

()
I don't wanna fall to pieces /I just want to sit and stare at you /
I don't want to talk about it /I don't want a conversation/
I just wanna cry in front of you/I don't want to talk about it/
'Cause I'm in love with you.

Tem dias em que eu me sinto assim:
simples.
Sem muitas palavras.
Hoje eu só quero olhar nos olhos dele
e sorrir.
Nada mais.

Quarta-feira, Fevereiro 03, 2010

01:33

Uma e trinta e três. As luzes apagadas e o frio naquele quarto ajudavam a criar uma atmosfera de calma, tristeza e solidão Um leve aperto no peito, pensamentos isolados: saudade. Olhava o relógio no canto da tela com uma frequência quase ritmada; a cada vinte e poucos minutos. Mas o tempo parecia se arrastar; relativo, não é como o definem? Buscava qualquer válvula de escape, qualquer buraco negro que a sugasse para uma dimensão onde o tempo passasse mais rápido; onde ele não parasse, como estava fazendo hoje. Mal conseguia pensar em algo para escrever; só este sentimento ocupava quase toda sua alma. Tentava sentir com a mente, não com o coração, na intenção de que doesse menos, que o aperto diminuísse. Uma e cinquenta e cinco. E a saudade não ia embora.

Terça-feira, Fevereiro 02, 2010

Sê inteiro

Não gosto de nada pela metade. Amizade pela metade, amor pela metade, viver pela metade. Sentimento tem que ser inteiro, recíproco, de uma vastidão inesgotável. Tem que ser intenso, imenso, imerso em vontades e sonhos. Tem que ser do jeito que me faz olhar nos olhos do outro e mergulhar fundo, me perder e me encontrar na imensidão que é um olhar. Tem que ser do jeito que me faça escalar montanhas, atravessar mundos e buscar estrelas, sóis e luas por quem eu queira. Para ser inteiro, tem que ser cúmplice: entrar na vida do outro e mergulhar de cabeça.