Sábado, Maio 29, 2010

E um pouco a mais de brilho


Costumava pensar no mundo tão colorido que quando veio a tempestade noutro dia meu chão tremeu. O azul do meu céu ficou nublado por nuvens cinzentas e o verde da grama aos meus pés secou qual deserto. Mundinho sem sal, sem cor - tal estava meu mundo sem amor. E foi um não sei o quê que me deixou assim, um fim-final que eu nunca entendi - palavras que destroçaram um coração até então forte. E eu já pedi ajuda, e eu já tinha até jogado a toalha. Um anjo me mostrou que, sim, dá pra colar. E colocou no lugar um dos cem pedaços do meu coraçãozinho. Noventa e nove sobrando, espalhados ao meu redor. Mas é um quebra-coração dos mais difíceis de montar, precisa tentar muito, precisa de muita paciência, perspicácia e, claro, amor. E veio você, e me disse que vai ajudar a colocar de volta no lugar o que você desmontou, e eu acreditei. E eu estou esperando - não precisa ser tudo de uma vez, mas um pedacinho por dia eu sei que dá. Você coloca no lugar certo, encaixado com os outros pedacinhos, e eu passo o superbonder - que é pra não descolar mais nenhum pedaço de mim, que é pra eu não descolar de você também. E no final, a gente espalha um pouco de glitter, pra ficar mais bonito, porque só voltar ao que era não vale - tem que ser melhor, tem que ser o colorido com um pouco mais de brilho.

Quinta-feira, Maio 27, 2010

Do eterno que acabou

▬ Meu coração que se foi sem dizer se voltava depois ▬

E o meu maior erro foi acreditar. Estive amando sozinha. Sabe aqueles tenistas que ficam treinando sozinhos, batendo a bolinha na parede? Assim que eu estou me sentindo agora. Sinto como se por muito tempo só eu tivesse jogado, só eu tivesse lutado, e nessa batalha solitária, ainda consegui perder. Perdi para mim mesma. Perdi para minha própria personalidade, para o meu excesso de confiança, pro meu extremo querer bem. E perdi, nessa brincadeira, metade de mim.
Bem que tentaram me avisar do risco que se corre ao entregar-se assim a alguém. Mas eu não ouvi, e deixei-me ir pelo sentimento. Não que tenha sido de todo ruim - vivi dos melhores momentos; mas permiti-me a miopia dos apaixonados. Permiti que o outro cuidasse do meu coração...
E esse outro agora se foi e levou consigo a minha metade. Isso não se faz. Não se diz eu te amo para depois partir. Não se planta a semente do amor se depois você resolve arrancar os galhos. Não, isso não se faz.
E depois de pisar no meu coração, ainda parte e me deixa assim, sem ajuda para colar os pedacinhos doloridos que ficaram. Egoísta, é o outro. Egoísta, ao pensar que pode vir, errar e depois fugir, sem consertar os estragos que provocou. Egoísta e covarde. E não, isso não é raiva. É realidade e ressentimento, e tudo que nunca deveria ser sentido, que foi só o que sobrou quando o outro fugiu com meu coração, foi só o que ficou no lugar. É o meu espólio de guerra, meu troféu desse jogo solitário que eu passei a jogar, que eu perdi, mas que a dor não parece querer passar.
E agora eu espalho por aí partes de mim, da minha alma e coração, na esperança que cada um que se importe comigo me ajude a montá-lo de novo.

Citando a mim mesma:
Não caia, por um ou qualquer, porque alguém que leve metade de ti nunca mereceu ser inteiro ao teu lado.

Veio tão de dentro, e tão forte, que eu não pude conter as palavras.

Domingo, Maio 23, 2010

Aquilo que dá no coração


♪ Avassalador, chega sem avisar
Toma de assalto, atropela
Vela de incendiar
Arrebatador, vem de qualquer lugar
Chega, nem pede licença
Avança sem ponderar...

E tem uma voz tão linda... Chega a ser engraçado, quanto mais lutamos para que o coração não se perca, mais longe ele vai, encontra alguém e se perde de nós. Porque é exatamente assim que eu me sinto agora. Logo agora, quando eu estava começando a colar os pedacinhos do meu coração partido, eu bati os olhos em você. Ou melhor, os ouvidos - porque foi amor à primeira nota. Lá estava você, sentado à beira do rio, no meio do caminho que eu faço para casa todos os dias, tocando uma música que eu nunca ouvira mais linda - ou até já tivesse ouvido, mas nunca com tanto sentimento. E as poucas palavras daquele verso me fizeram parar, feito boba, a olhar para você. Por onde andei enquanto você me procurava? E eu sentei, não muito longe de você, e fiquei apenas admirando - aflita. Aflita, porque eu agora tenho medo de sentimentos fortes - sentimentos que machucam forte quando querem, que despedaçam, que ferem. E eu ainda nem cicatrizara, e lá vinha você. Será que eu sei que você é mesmo tudo aquilo que me faltava? Não que você, aqui tão perto, aqui tão longe, saiba de tudo que passa aqui na minha mente. Não que você sequer sinta o mínimo que agora se apoderou de mim. Porque acho que era assim como você tinha dito, eu o procurava. E por onde você andou? Não, você não sabe, nem sonha, que eu sou aquilo que você procurava. E nem eu sonhava. Mas eu sinto - talvez até sempre sentisse. E você, agora, parou de cantar e levantou para ir embora, me deixando aqui sozinha, só com os resquíscios do timbre da sua voz. E olhou para trás, por uma fração de segundo, como se soubesse que eu estava aqui, como se soubesse que eu sou tudo aquio que lhe faltava. E continuou seu caminho. E amanhã eu estarei aqui, porque eu sei que você e sua voz estarão também - porque sentir assim como eu senti agora, não é coincidência, apenas. Tem que ser destino - tem que ser aquilo que me faltava.


Meninas, obrigadinha pelos selos que vocês me indicaram, muito honrada *-*. Saudade de passar mais tempo no blog, de realmente poder ler as atualizações de todo mundo... Até meu celular, de onde eu postava e lia, foi roubado, então tá ruim a situação. Mas eu ainda adoro todas vocês - e os poucos rapazes que têm por aqui também! Beijinhos pra quem me lê... E que a criatividade nossa seja como divisão por zero, que tende ao infinito!

Terça-feira, Maio 18, 2010

Enquanto você precisar


Olhando daqui, agora, é tudo tão claro - tão claro quanto o céu límpido acima de mim.
Eu vejo as pessoas andando rua abaixo e sinto o mundo mover - o tempo passa.


E passou aquilo que me afligia, e agora eu me sinto mais viva. E depois que eu parei para analisar do lado de fora - imparcial - eu vi que você esteve, sim, ao meu lado; gritando comigo e tentando me fazer parar, quando sabia que eu deveria. Mesmo que eu tantas vezes tenha lhe ignorado tão tolamente. Tola - essa é uma característica que eu sinto cada vez menos dentro de mim. Eu cresci. Amadureci. Ainda não consegui florescer, mas estou no caminho. E é tentando florescer que eu lhe digo que estarei ao seu lado, como você esteve ao meu, por todo esse tempo. E lhe darei o apoio que precisar, e serei teus pés no chão quando sentir que está saindo da realidade. E lhe darei as flores do meu jardim quando for preciso sentir que ainda há beleza na vida, e que o cheiro doce e calmo de rosas amarelas é alimento para o amor. Porque, de tudo na vida que eu posso não recordar, o seu nome e o seu abraço eu seguro forte no pensamento, para jamais escaparem, e é assim que eu quero que você fique: com meu abraço em sua memória e a lembrança de minha lealdade. Enquanto você precisar. E sempre e sempre. Por você, faria isso mil vezes.

Domingo, Maio 16, 2010

Love is like a bomb

Era uma vez um sorriso

A luz do sol, forte, incidia pela janela de vidro com a cortina entreaberta. Ela brincava com o cabelo devagar, enrolando aquela mecha de tom castanho-avermelhado-queimado-de-sol. Tinha o olhar distante, de quem já cansou de procurar no horizonte alguém que resolveu não aparecer. Alternava entre olhar a tela do celular e a do computador, à espera. E esperava, como se nada mais tivesse a fazer, mesmo que esperar não fosse o certo, mesmo que de esperar já estivesse cansada. Passaram-se alguns minutos desde que se lembrava de estar esperando - ou talvez tivessem sido horas, ela já não mais saberia dizer - quando a campainha tocou. Enquanto corria para atender, mal pôde ouvir o toque do celular - a música que ela esperara tanto ouvir, o toque escolhido especialmente para ele. Atendeu à porta, mas era apenas o carteiro. Contas, propostas de cartão de crédito, mais contas. E um pequeno embrulho, do tipo que cabe na palma da mão - papel brilhante prateado e laço de fita azul. Andou devagar até o quarto, o pensamento acima das nuvens, a caixinha na mão esquerda, equilibrado com todo o cuidado. Sentou na cama, desfez o laço, abriu o embrulho. Dentro, um anel prateado e um pequeno cartão, com poucas palavras escritas numa caligrafia um tanto confusa, mas perceptível à primeira olhada, para ela. Lembrou do celular, olhou a mensagem que havia chegado. Vejo você semana que vem. E obrigada por me aturar, por todo este tempo, aí e não estando aí. Morrendo de saudades. É só você na minha mente. Your love is like a bomb, blowin' my mind. O timing perfeito, as palavras perfeitas. Um sorriso surgiu no rosto dela - nos lábios e nos olhos. Ele sempre fazia valer qualquer espera.

"You turn me on, your love is like a bomb, blowing my mind. Love u ever, D."

Sexta-feira, Maio 14, 2010

Sem pensar


§ Eu que falei sem pensar, agora me arrependo roendo as unhas §

E ela dava voltas e voltas no quarto, sem levantar da cama. A mente girava, os pensamentos corriam por todos os cantos. Subiam as paredes, ela tentava mantê-los lá, por perto, mas era difícil. Passaram pelo vão da porta, atravessaram a cidade, chegaram lá. Na casa dele, no quarto dele. No peitoril da janela, pensando nela, ele olhava o sol nascer; sentindo os pensamentos que dela fugiam até ele. Pensamentos que levavam promessas, perguntas, desculpas. E a lembrança de palavras duras, ditas sem pensar. Do tipo que fazem sangrar as feridas, e não deixam cicatrizes, porque nunca chegam a curar. E do tipo que deixa uma lágrima pendurada no canto do olho por horas a fio, da lembrança do não e da desconfiança, do olhar frio. E ele pensava em tudo que tinha passado, tudo que tinham vivido. E pensava, e pensava. Em tudo que já não era mais, que não poderia ser mais. Porque ele falou sem pensar, e abriu aquela ferida no fundo do coração e deixou o coração na mão. E por mais que ela não quisesse, não podia parar de pensar, e pensar. Roía as unhas que já nem mais aguentavam, e a lágrima presa escorria, lenta, até que os olhos se fecharam, de tristeza e cansaço. Do tipo que acontece quando se desiste.

Pegue um pedaço de mim, da ternura que eu te dedico; que te sirva de apoio enquanto precisares e sempre e sempre; mas não caia, por um ou qualquer, porque alguém que leve metade de ti nunca mereceu ser inteiro ao teu lado.

Sábado, Maio 08, 2010

Seguindo estrelas

* Sigo palavras e busco estrelas *

- Sabe aquela estrela ali, a mais brilhante? É minha estrela da sorte. Sempre que eu quero algo, eu faço um pedido. Quase sempre funciona, sabia?
- Eu não tenho estrela da sorte, não.
- Mas por quê? Escolhe uma.
- Mas eu não preciso. Sempre que eu quero algo, eu faço por mim mesma. Eu peço, mas é ajuda pros meus amigos, porque eles estão aí pra isso. Pra realizar comigo os meus sonhos. Dá um trabalhão, é verdade, batalhar pra ter o que eu quero. Mas sempre funciona. Porque, mais que sorte, sonho só vira real com determinação. E não tem erro. Nem quase.

Quinta-feira, Maio 06, 2010

Pretérito imperfeito

Mentiras não machucam você. Mentiras machucam aquele que você ama.
[Smallville, 8ª temporada, episódio 5]

Andava de mãos dadas.
Sorria o tempo todo.
Só olhava - sentia, sabia.
Amava - como a poucos.
Partilhava, compartilhava, conversava.
Dividia - a si mesma.
Mas esqueceu que não dependia só dela;
porque ele não quis corresponder.
Não quis ser sincero,
não quis ser só dela.
Ficaram só assim - no passado, no pretérito.
Pretérito perfeito,
que acabou e não volta mais;
Pretérito imperfeito -
não tinha amor, não teve nada.

Domingo, Maio 02, 2010

Do you love me?

Do you want me to hold you when you cry?

Posso não ser exatamente aquela pessoa perfeita que você sempre sonhou. Mas, assim, do jeito que sou, eu tento ser - perfeita, inteira - do jeito que combine com você, do jeito que encante a você. Porque eu quero ser do jeito que você mereça - mas nunca deixando a mim mesma, porque foi essa que fez você parar e olhar. Eu quero ser essa mistura de emoção e pensamento e algo novo que sirva a nós dois - a mim e a você - como me serve o teu querer. E eu quero ser boa, eu quero ser melhor, e dar de mim o melhor, para que sempre me queira, assim, como eu sou, como eu sei que posso ser, como o melhor que eu sei ser, apenas por ser eu mesma, com você.

Sábado, Maio 01, 2010

Do amor que eu lhes dedico

Só enquanto eu respirar vou me lembrar de você.

Nas tuas palavras eu descobri que posso voar - e eu aprendi a voar. Da tua voz eu escuto a canção mais bela, e do sentimento entranhado em teus versos sou capaz de sentir o calor do teu sorriso. Vê só o bem que me fazes.
E quase consigo sentir teu olhar sincero quando derramas uma lágrima no papel já manchado, já antigo em que escreves. Porque eu te leio em sentimento e em intensidade e consegues tocar minha mente e minha alma. Como poucos o fazem. Porque o que me dás não são só palavras; me dás conselhos, experiências, sentimento. Me dás um tudo e um pouco da atenção que eu busco e eu sei que, aqui, me encontro. E aqui sempre me encontrarás.

Para todos os autores e autoras que eu amo. De Machado a Clarisse, de Bell a Mel. De mim a você.