Despertador toca e eu não ouço – sono pesado. Toca de novo, desligo, enrolo – desenrolo do lençol, levanto. Banho gelado, sem meias limpas, ônibus atrasado: dia todo errado. Barriga vazio, trabalho vazio, vazio aqui dentro. Erro no sinal, rede ocupada, caixa postal: celular desligado, ou a mente é que está? Cartão recusado, 15 unidades, o número chamado não existe. Sala fria, ar-condicionado gelando demais, pés frios. A unha quebrou, a bateria acabou, cadê o dinheiro trocado? Aula sem-graça, volta pra casa: cama vazia. Vazio aqui dentro. Ele liga, diz que já está chegando: calor do colo essa noite. Dia cheio, coração cheio, cabeça cheia de sonhos. Sono pesado, o despertador toca e eu não ouço – toca de novo, levanto, desenrolo. Ele já saiu – continuo sem meias limpas, coloco a sapatilha ao invés do tênis. O resultado já é certo: calo no dedão do pé.
Segunda-feira, Agosto 30, 2010
Quinta-feira, Agosto 26, 2010
Ana e o mar
Os quatro elementos de tudo
Deitada diante do mar
Segunda-feira, Agosto 23, 2010
Sol e chuva
Era um amor tranquilo, calmo e tímido. Não fazia mal a ninguém. Mas pouco se mostrava, pouco causava. Era amor tão pouco amor que quase nem se sentia. Adianta ser amor se não se sente?
Jogou pela janela os medos e as desilusões – a chuva levou o que ela não queria mais no seu quarto e no seu coração. Abriu os olhos e a mente e deixou a desconfiança atrás da porta ao sair. O sol brilhava, as gotas de chuva transformavam a luz que chegava aos seus olhos em um prisma colorido. Cansou de amar pouco. Andou, com pés descalços na calçada molhada, até chegar à casa no fim da rua. Tocou a campainha, chamou com um sorriso nos olhos e ele veio. Confuso, viu a menina molhada de chuva e confiança, alegre como poucas vezes. Ela o puxou para a chuva, abraçou-o, e deixou a água que caía do céu limpar os erros que haviam no que eles tinham. Ele sorriu. De corpo e alma lavados, sorriam, aproveitando um dia de sol e chuva e um novo brilho nos olhos.
Não nasceu para ser perfeito, nem o era. Mas isso não o impedia de existir.
Quinta-feira, Agosto 19, 2010
Amplificando
"Feche os meus olhos e me faça sonhar
Diga pra eu parar de me preocupar
Me mostre como sempre acreditar
Eu quero acelerar"Capital Inicial
Quero sentir meu coração acelerar. Como quando via você de longe, olhava de canto de olho, pra você nem perceber, e sentia o coração pulsar mais forte no momento em que você me pegava no flagra e me sorria bonito. Sorria bonito e fazia eu me derreter por você. Segure a minha mão e feche meus olhos, me faça sonhar – me mostre que em você ainda há a coragem do início e a vontade de sempre. Faça meus olhos brilharem com a flor que você me traga, como você fazia nas noites de domingo… Me surpreenda. Amplifique minhas emoções, amplie sua idéias, amplifique o amor há aqui… E deixe que, de você, cuido eu.
Domingo, Agosto 15, 2010
Up in the sky
Hey you, up in the sky, learning to fly
Estou em uma fase em que eu preciso de conquistas. Não do tipo de ganhar medalhas, não é isso que eu quero. Não quero nada apenas para exibir aos outros. Quero troféus para minha mente. Sentir que sou capaz, sabe? Que consigo, que posso alcançar, que eu chego lá. Minha mente clama por algo mais; ela não entende essa rotina deprimente à qual pertenço. Meu coração pede fortes emoções: a caça, a luta e a conquista. Eu quero precisar acordar cedo e dormir tarde, se assim eu possa viver o dia todo – e todos os dias.
Estou em uma fase em que meu coração quer amar mais. Sem se contentar com meios-sorrisos ou abraços ligeiros. Não quero nada, nem pouco: quero muito. Sentir o fogo se propagar no calor de um olhar, entende? Meu coração quer parar ao vê-lo de longe e acelerar ao sentir seu toque. Minha mente quer sentir a adrenalina da paixão reacendida a cada beijo. Eu quero precisar amar, se assim eu possa viver o dia todo – e todos os dias.
Ah, eu só quero aprender a voar. Pra chegar aonde nunca antes outro foi.
Quarta-feira, Agosto 11, 2010
De ontem em diante
De ontem em diante resolvi apenas ser. Sem a necessidade de dar a indevida importância ao que não é devido. Levando na cabeça nada mais que o cérebro e alguns poucos parafusos fora de lugar e deixando atrás da porta as inseguranças (mas não o coração) de uns três meses atrás. Carregando nas costas os sonhos e no colo os amores. De ontem em diante serei nada mais que o que me cabe, sem a idéia ilusória de que o mundo cabe em minha mão. Não, serei apenas aquilo que me cabe em tamanho, ou talvez uns dois metros cúbicos a mais. E se antes quis ser tudo, hoje quero ser muito, mas só daquilo que seja melhor. De ontem em diante resolvi andar descalça, para não fazer muito barulho, mas andar descalça na areia, onde silenciosa e graciosamente eu deixe minhas pegadas por onde passo. E resolvi que não preciso, e não quero, fugir. Não importa o tamanho do penhasco; me atiro do alto e que me atirem no peito, mas da luta não me retiro.
De ontem em diante serei o que sou no instante agora
Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa
Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada
são coisas distintas
Separadas pelo canto de um galo velho
Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho
Do versículo e da profecia
Quem surgiu primeiro? o antes, o outrora, a noite ou o dia?
Minha vida inteira é meu dia inteiro
Meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro!
Minha mochila de lanches?
É minha marmita requentada em banho Maria!
Minha mamadeira de leite em pó
É cerveja gelada na padaria
Meu banho no tanque?
É lavar carro com mangueira
E se antes, um pedaço de maçã
Hoje quero a fruta inteira
E da fruta tiro a polpa... da puta tiro a roupa
Da luta não me retiro
Me atiro do alto e que me atirem no peito
Da luta não me retiro...
Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem.Letra de Fernando Anitelli – O Teatro Mágico.
Sexta-feira, Agosto 06, 2010
Navega coração
bóia nas águas desse mar de amor
e vai subindo,
até chegar aonde nem meus olhos alcançam,
onde o amor é o mais puro,
pra lá do arco-íris.
