Sábado, Janeiro 29, 2011

Na esquina

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♪ Eu não quero ver você fumando ópio pra sarar a dor ♪

Eu via você andar devagarinho desde o momento em que surgiu na esquina, passo a passo, segundo a segundo. Uma eternidade. A parede às minhas costas parecia ter esquecido que era meio-dia e o sol estava a pino. Ou era só o frio na espinha? Você demorou a me ver ou estava apenas adiando o momento? Vai saber. Eu lhe esperava como condenado no corredor da morte. Morte por amar demais. Morte por não ter (mais) de volta esse amor demais. Quando você me avistou, meus pés tremeram. Por que tem que ser assim? Você andou até mim, parada num canto qualquer, apoiada numa parede para não desmoronar. E você me disse tudo aquilo de que eu vinha fugindo. Você desenhou em meus olhos aquilo que eu há tempos me recusava a enxergar. E eu até talvez sempre soubesse, desde aquele dia em que seus olhos encontraram os meus, que seus sonhos não eram mais os meus. Seu amor não era mais meu. Mas amar é assim. Eu vi você virar as costas e me deixar ali, parada, sozinha. Só. Encostada naquela parede fria de pedra, que não parecia ter outra serventia além de me sustentar em pé, agora que você decidira não mais o fazer. Eu vi você desaparecer na esquina, e um vento frio arrepiou minha pele. Eu vi você desaparecer na esquina, sumir da minha vida. E só.

Quarta-feira, Janeiro 19, 2011

Na lua, na rua…

rachel and ross

“Você vai comigo aonde eu for, você vai bem se vem comigo.” ZB

Então deixa de lado essa tristeza e vem logo segurar a minha mão pelo resto do dia. Porque te ver com esse medo de seguir em frente me incomoda e agonia, quase tanto quanto não te ver. Deixa para trás essa mala pesada e esse sorriso amarelo – melhor é a lua que vou te ajudar a ir buscar, essa vale o peso a carregar. E nem me venha com desculpas ou receios, que isso é história para outro qualquer; comigo, eu quero que tu venhas só. Só tu, e aquele teu olhar admirado, se quiseres trazer junto. Porque nós vamos para aquela rua que é só nossa, a qual ninguém chega nem perto, de mãos dadas e almas entrelaçadas, e eu acho que combina com ela o teu olhar de admiração, assombro, espanto, encanto. Vem, deixa de lado essa incerteza, essa tristeza disfarçada de preguiça, e segura minha mão. Sobe comigo nesse avião e vamos bem, atrás daquela rua, daquela lua, lá em casa, aqui dentro.

Quinta-feira, Janeiro 13, 2011

Demais

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É preciso tornar real aquilo que o pensamento manifesta em silêncio.

A ausência dele ao meu redor incomoda como falta de ar. Não sentir o aperto da minha mão na dele dói o peito, a alma. Mas você não sabe como um amor desse tamanho pode doer. Ele suga as energias, todo o bem-querer, toda a vontade. Ele arranca do peito o coração e entrega inteiramente a ele. É sentimento demais dentro de um corpo mortal. É preciso deixar de respira-lo para poder sobreviver. Mas sem ele, não se vive. Porque para deixar de respira-lo, é preciso deixar de inspirar todo o ar. Não é possível amar todo esse amor, mas viver sem ele… É inconcebível. Por mais que eu queira, não há conciliação. Ou ama ou não ama. Mas o coração não aguenta amar. E a alma não concebe não amar. E enxerga-lo em cada horizonte crepuscular não ajuda em nada.

De um amor exagerado que surgiu de uma lembrança de algo lido.