Eu me pergunto qual é a cor do mundo olhado daí do outro lado.
Amanheci sorrindo. Olhar teu sono tranquilo me aquietou noite adentro e eu dormi bem. Ter que sair correndo e te abandonar foi tão mais difícil do que eu lembrava… O que me consola é saber que, no fim da noite, depois de um longo dia, eu chego em casa e encontro você aqui, me olhando e sorrindo macio, como todos os dias. E pensar que eu já cogitei alguma vez deixar você… Meu coração palpita rápido, acelerado, nervoso e envergonhado desse sentimento. Ele não quer deixar você, sabia? Nunquinha. Porque é tudo tão bom aqui, no fim da noite, no frio ou no calor das madrugadas dessa nossa cidade, e ele já acostumou com teu coração. Acostumou, porque é bom, porque faz bem, não porque se acomodou. Meu coração não acomoda, ele é inquieto. Combina com o seu, né? Mas é como eu sempre digo: a gente combina, encaixa, perfeitamente. Feitos no molde um do outro, errados e tortos mesmo. Só o coração que é igual. O mesmo amor, o mesmo tamanho... Amanheci sorrindo por estar ao lado seu. Anoiteço levemente, até quando você não passa a noite, só de saber que logo logo estará pertinho, coração com coração. E sorrio leve, macio, quase um travesseiro de plumas.
Tanto tempo que meu coração não me trazia até aqui… Saudade de tudo, de vocês, de mim, das minhas rimas em prosa. Não me abandonem. O coelho corre na minha frente gritando que está atrasado, mas eu já já o alcanço. Um beijo.