Quinta-feira, Novembro 24, 2011
Lifesize
Já chorei de tristeza, decepção, dor; já chorei de tanto rir.
Já corri descalça na rua; já esfolei o joelho de tanto cair.
Já sorri para um estranho na rua; já estranhei um conhecido me sorrindo.
Já pulei da ponte ao rio; já morri de medo e desisti de pular.
Já fugi correndo da chuva; já corri na chuva atrás de alguém.
Já beijei quem não devia; já escondi o rosto quando queria o beijo.
Já sonhei com monstros e acordei assustada; já sonhei com amigos e me assustei ainda mais.
Já dormi abraçada; já acordei sozinha mesmo com alguém ao lado.
Já perdi a paciência com choro de criança; já me emocionei com um sorriso de bebê.
Já amei e não tive coragem de dizer; já disse que amava a quem não merecia me ouvir.
Já fingi dor de cabeça pra não ir pra escola; já fingi calma mesmo quando o coração explodia.
Já disse que odiava; já disse que gostava e depois descobri que nem era tanto assim.
Já me importei com o que os outros pensam; já tapei os ouvidos e fiz o que eu queria.
Já passei horas ouvindo lamentos; já lamentei por horas no ouvido dos outros.
Já emprestei borracha só pra puxar assunto; já devolvi livros para não ter motivo de falar de novo.
Já ligue quando não devia; já me segurei por dias sem tocar no celular.
Já sorri largo com meu nome no rádio; já baixei os olhos tristes quando levei um não.
Já escrevi cartas de amor e não enviei; já recebi mensagens que preferia nunca ter lido.
Já comprei livros que nunca li; já emprestei livros e nunca devolvi.
Já sorri ao olhar fotos antigas; já rasguei fotos com pessoas que não queria mais lembrar.
Já entendi mais do que me foi dito; já me fiz de desentendida.
Já amei profundamente; já esqueci um grande amor.
Já escrevi de lápis por medo de errar; agora só uso caneta, que é pra ficar tudo bem gravado..
Ao som de Lifesize - A Fine Frenzy
Terça-feira, Novembro 15, 2011
Pra escandalizar ninguém
É essa simplicidade de ser-se sem precisar se preocupar com o que quer que seja que me atrai: essa história de poder brincar de sorrir pra todo mundo, a toda hora, qualquer sorriso, sem qualquer medo. Porque eu gosto mesmo é da felicidade amarrada à simplicidade e adoro um bom sorriso; por quê não? Não crio caso, prefiro a gargalhada que leva àquele choro inocente, de bochechas rosadas e nariz inchado, mas que nem dói, ao que quer que me ofereçam. E bem mais fundo, bem mais que mais, eu gosto mesmo é dos olhos que sorriem; aqueles olhos que demonstram mais que mil palavras, mais que um milhão de imagens, só num piscar, num brilho, num lapso de cores escondidas no castanho escuro tão comum. Acho que tanto assim porque eu mesma é que sorrio desse jeito, por escolha; porque sorrir com os olhos é tão sincero que ninguém duvida. E é especial para aqueles poucos que entendem, subentendem e mais que compreendem o que se passa por detrás de todo o brilho, os poucos que também sorriem com o olhar, de um jeito calmo, disfarçado, sem escândalo – sincero.